Vício

A culpa está em Júpiter e no alinhamento dos planetas, a culpa está nas páginas riscadas e remendadas e nos olhares que trocamos e nos beijos que desperdiçamos e na tua mente fodida. 

Olho-te e sei que, muitas vezes, mesmo estando aqui, não estás, estás onde não posso te alcançar, sob a névoa de uma ilusão.
E eu, por vezes em nuvens, por vezes em precipícios, apenas observo-te falando todas as mais verdadeiras mentiras sob o calor do meu corpo.
E se eu me afasto de ti é pra tentar me recompor, porque estar ao teu lado me destrói, eu não me engano, mas me sinto péssima sem ti aqui, então eu volto correndo para os teus braços e bebo cada uma das tuas palavras, fumando cada segundo do teu cheiro.
Intoxicada, abalada, viciada, fraca junto a ti, minha kriptonita, eu fico presa nos lençóis, grudada em teu corpo e algemada sem pudor algum, mas não esqueço a raiva e a dor que me causas e, como vingança, cravo em ti minhas unhas, mordo-te e faço de tudo para que entenda como me sinto.
Mas teu egoísmo me sufoca e me desorienta e eu, meio invisível, ao menos para o teu coração, suspiro em busca de soluções. Ah, se um dia a fúria me domina e o fogo queima os lençóis que me prendem nessa cama…

 

dedicado à primeira e única musa dos meus sonhos molhados.

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