The time of a mind

As luzes dançavam no teto.
Verde, vermelho, azul, amarelo, lilás…
Carolina contava as horas como quem conta carneirinhos. E horas iam, jamais voltavam, mas seus olhos ainda estavam abertos.
Seus lábios, sempre cheios de palavras, se calavam.
Mas sua mente girava por tantos mundos que ela até perdia a conta, já não sabia se eram horas, minutos, dias ou meses.
Às vezes pulava de uma nuvem de algodão doce para o meio de uma tempestade, numa luta pirata sangrenta.
Girava e girava em meio aos campos dourados de trigo do Brasil, mas no momento seguinte corria atrás de alguma fada nos longínquos bosques úmidos da Inglaterra.
E cantava, tocava todos os instrumentos de orquestra, sabia manejar uma espada como ninguém, era ótima no arco e flecha, era a melhor na cozinha.
Carolina balançava seu vestido andando de um reino ao outro e sacodia suas calças depois das longas viagens de meio segundo à cavalo entre um século e outro.
O tempo voltava. E ia. Ninguém sabia.

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