Família: Irmãos

Deve ser chato ser filho único. Deve ser chato pra caramba!E solitário.
Tenho duas irmãs, muito bem criadas e educadas pelos meus pais (que são maravilhosos), óbvio que eu saí meio torta, mas acho que nós três temos os mesmos princípios muito bem ensinados pelos meus pais.
Mas não é sobre meus pais serem ótimos que eu quero falar, vou falar disso outra hora.
Um filho único não tem com quem disputar o controle remoto, o brinquedo, a atenção dos pais, não tem em quem jogar a culpa por alguma arte mal planejada; é, deve ser um saco.
Lá em casa nunca tivemos essa coisa de os pais são mais meus que teus, não a sério, apenas em brincadeiras e provocações bobas. Não posso falar pelas minhas irmãs, mas eu sempre quis que meus pais olhassem mais para elas, não para me ignorarem, claro, mas porque eu sempre achei elas fantásticas.
Costumava achar que elas eram algo tipo estrelas de cinema, juro que não é balela, sempre achei minhas irmãs muito bonitas, inteligentes, divertidas, seguras de si, decididas, talentosas, impossíveis de não amar e querer bem, mais do que outras meninas que eu via por aí, as outras sempre me pareceram meio frescas e superficiais, coisa que minhas preferidas nunca foram.
Então quando vejo irmãos que disputam por coisas bobas, que demonstram desafeto uns pelos outros eu fico chocada. Toda vez. Não é que nós três nunca tenhamos brigado, longe disso, a peleia lá em casa sempre foi forte. Lembro da minha mãe contando indignada que várias vezes escutava as brigas da esquina (contava isso furiosa), não lembro, mas conheço bem os personagens, então não sei como a casa ainda está de pé depois de todos esses anos.
Lembro, também, de quantas vezes levei uns puxões de orelhas bem dados (isso inclui umas chineladas também) por ter aprontado ou brigados com as manas. E eu aprontei muito. E eu sempre achei minhas irmãs perfeitas demais (isso me irritava um pouco, porque fazia parecer que eu também teria que ser perfeita e eu não lembro de ter desejado perfeição, lembro de querer seu eu, só isso), porque eu não lembro de elas cometerem erros, demorei muitos anos pra descobrir que elas aprontaram bastante, provavelmente não tanto quanto eu, sempre fui impossível, mas sou o bebê mimado e não tenho vergonha nenhuma disso (um dia desses faço um bottom de “filhinha da mamãe e do papai”).
Minha mãe falou que nos ama do mesmo jeito. Mentira. Teríamos que ser a mesma. Não somos. Que bom! Porque eu sei que somos amadas uma de cada jeito, de acordo com nossas personalidades; sei disso porque também amo uma de um jeito e outra de outro. Isso não significa “amar menos”, de forma alguma! Isso significa conhecer, respeitar e amar com qualidades e defeitos e, na minha limitada experiência de vida, não existe amor mais lindo que esse.
Sei que vamos discutir muitas vezes ainda, eu vou encher o saco delas muitas vezes ainda, por gosto, porque é meu papel, porque elas ficam lindas irritadas, porque amar também é tirar o outro do sério, mas sei que sempre vou evitar fazer qualquer coisa que possa magoá-las, não sei se isso vem do que os meus pais ensinaram ou de mim, mas aquelas duas são o meu tesouro mais precioso e eu faria tudo por elas.

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