Lilás

Coisas curiosas acontecem no mundo afora, alguns dias simples podem mudar nossas vidas e fazê-las melhores ou piores ou um pouco de cada.
Tardes e tardes passando pela mesma rua nunca haviam feito diferença para Clarice até o dia em que ela viu uma moça de vestido lilás derrubar uma pilha de caixas, correu para ajudá-la.
Entre agradecimentos Clarice andou com ela até perceberem que seu destino era o mesmo: uma pequena loja onde a moça do vestido lilás trabalhava, a mesma que havia mandado avisar que uma antiga encomenda de Clarice chegara.
Após um par de horas de conversas e risos nos quais Clarice descobriu que o nome da jovem atrapalhada era Helena e que esta era doce, agradável e divertida, foi-se embora. Mas não demorou a voltar, voltou dia após dia para horas de conversa agradabilíssima e sorrisos abertos e sinceros. Eram, agora, amigas, liam os mesmos livros e conversavam sobre eles por horas a fio.
Em um tempo onde até mesmo o normal era velado o que seria de minhas duas meninas, apaixonadas pelos momentos roubados que tinham juntas, pela delicadeza de uma e pela força de caráter de outra?
Helena, em suprema inocência, confessou sentir em Clarice muito mais que apenas uma amiga, disse-lhe doces palavras de carinho, ainda que temendo um adeus.
Embora surpresa, Clarice adorou a notícia, após uma pequena reflexão enviou a seguinte carta:

“Minha doce e adorada Helena,
Saiba que sinto o mesmo que você, meus olhos não vêem outras pessoas e meu coração possui teu nome gravado nele, encontro mais que prazer em sua companhia, encontro um lar. Devoto-lhe todo o ardor de minha paixão e rogo para que encontremos uma solução, não quero viver sem você.

Repito que eram tempos onde o amor entre duas mulheres jamais seria bem aceito, mas sua amizade era tão elogiada em todas as rodas de conversas que quando as duas passaram a morar juntas em uma pequena casa de dois quartos, todos foram deveras favoráveis, pois, já que ambas anunciaram que não pretendiam casar com homem algum, era bem justo que, como amigas, morassem juntas em uma pequena casa cheia de plantas, livros e músicas.
Viveram seu amor, andaram de braços dados, sorriram calorosamente e trocaram olhares cúmplices sem medo, eram melhores amigas e sempre seriam, não era da conta da sociedade se haviam descoberto o amor onde ele era menos esperado.
As fotografias que decoravam toda a casa mostravam toda uma vida repleta da mais pura alegria, uma alegria lilás como aquele vestido que Helena usou no primeiro dia.

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