O corredor

Eu andava por um corredor escuro, sem portas, sem janelas; não tinha ideia de como chegara ali.
Tateei as paredes, tentando descobrir de havia algo a meu redor. Uma parede em minha costas, vazio para frente.
Fui em frente, ainda me guiando pela parede. Passos lentos.
O escuro ao meu redor pareceu diminuir, mas talvez fossem apenas meus olhos se acostumando à situação.
Cheguei a um ponto em que o corredor virava para a esquerda.
Me deparei com várias frestas de luz. Portas. Centenas de portas em uma linha reta que parecia não ter fim.
Abri a primeira porta.
Um quarto sem janelas, sem nada.
Fui para a próxima, mas ela era apenas como a outra.
Pensei ter ouvido um barulho, então fui em frente, passo por passo, tentando saber de onde tinha vindo o barulho.
Era uma voz.
Ela foi aumentando, aos poucos. Não era um idioma que eu conhecesse, mas ainda assim, era uma voz.
Cheguei a uma porta que tinha uma sombra. Eu bati, de leve. A voz silenciou. Bati outra vez. A voz resmungou. Abri.
Dentro daquele quarto que era exatamente como os outros, havia uma cabeça, apenas uma cabeça, jogada ao chão, envolta por sangue. Ao me ver, ela começou a falar rápido e alto.
Fechei a porta e corri.
Não sei por quê corri, mas corri até uma porta e naquele quarto.
A luz nele começou a piscar, toda vez que ela apagava e acendia o quarto parecia diminuir.
Tentei abrir a porta, mas ela já não abria.
Ouvi risos.
Em meu desespero comecei a murmurar “por favor, abra”.
E a porta se abriu.
Eu sentei no chão, tentando me acalmar.
Um brisa pareceu vir de encontro a meu rosto. Levantei, respirei fundo, segui em frente.
Ao longe avistei um quarto sem porta, a luz dele era diferente.
Havia um gramado, árvores e um pequeno riacho naquele quarto.
Entrei, observando-o com atenção.
Pensei em sentar no gramado, mas, felizmente, olhei para uma árvore mais ao fundo, de onde se erguiam milhares de insetos, eu não saberia dizer quais eram, mas eles vinham em minha direção.
Mais uma vez eu corri, corri porta afora e para longe dali, até ter certeza que não era seguida.
Droga.
O maldito corredor parecia não ter fim.
Abri a porta a meu lado.
Várias pessoas, banhadas em sangue, atacando umas às outras. Fechei-a.
Ridículo, isso tem que ser um pesadelo idiota.
Abri a outra porta.
Quarto vazio.
Outra.
Algum tipo de ser mutante com vários braços enforcando.
Outra.
Uma mulher descabelada que começou a gritar que todos iriam morrer dolorosamente.
Outra.
Quarto vazio.
Outra.
Flechas voando em minha direção.
E outra.
Facas e machados que começaram a se erguer e girar em minha direção quando pisei dentro do quarto.
E outra.
E mais outra.
E outra ainda.
E a cada nova porta, um novo tipo de jeito de morrer, de seres mutantes, de animais violentos, de pedaços de corpos e de pessoas devorando umas às outras.
E mais outras de quartos vazios.
E muito tempo depois de eu estar cansada eu ainda abri outra e havia um novo corredor.
Bosta.
Olhei para o que estava atrás de mim, para o que estava na minha frente.
Bosta.
Deixei a porta aberta, mas voltei para o antigo corredor, mas ele não tinha mais continuação, tinha parede, pintada como se fosse a continuação.
Ridículo.
Segui por esse corredor, abrindo todas as portas.
Alguns quartos agora tinham mesinhas, bem no centro, mas não havia nada sobre elas, outros tinham cadáveres em vários estados de decomposição.
Maravilha.
Mantive o ritmo.
Tem que ter uma saída.
Comecei a me sentir cansada.
Quem é que se sente cansada em um pesadelo?
Depois de muitas portas, havia um quarto com uma cama.
Uma cama! Era tudo o que eu precisava. Fui até ela e deitei.

Acordei no chão, no breu. Havia um bilhete em minhas mãos.
Tateei pelas paredes por um longo caminho. Longo demais para ser um quarto.
Por favor, não.
Então, numa curva à esquerda as portas.
Me abaixei à luz da primeira porta, com o bilhete em mãos. Nele havia um:

“Bela tentativa”

Meus braços pareciam estar cheios de pequenos cortes.
Merda.
Eu abri a porta. Uma cadeira. Um espelho.
Fui até ele.
Descabelada, cheia de cortes, marcas roxas e nua. Ali estava uma mutação, que não era eu, exceto pelos olhos, esses ainda eram eu.
Comecei a tremer, fiquei zonza, sentei.

Acordei na cama. Não na minha, naquela, dentro daquele quarto…
Merda.

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