Café – Dia 2 – A música pulsa como o coração

A partir de hoje eu terei uma rotina – acordar às 5, vir para o Café, cozinhar, xingar Cas e Lily por estarem atrasadas, abrir as portas e torcer para que as pessoas venham. É excitante e assustador ao mesmo tempo, é um sonho, mas também um pesadelo. O que acontece se eu falhar? Eu deveria ter algum segundo plano, mas, às vezes, só conseguimos desejar fazer uma coisa pelo resto de nossas vidas e todo o resto se torna bônus.
Para minha surpresa Lily chegou cedo, organizou a vitrine, varreu a loja e ainda me ajudou a assar alguns biscoitos. Cas não se atrasou, é verdade, acho que estamos empolgadas no fim das contas.
Vimos o sol nascer, bom, quase, vimos a vida clarear e acordar lá fora enquanto já estávamos correndo. Acho que nunca pensamos como é com as pessoas que preparam o início dos nossos dias, não é mesmo?
Abrimos as portas às 7 em ponto e, para nossa agradável surpresa, tivemos nosso primeiro cliente às 7:12, uma mulher em um terno que adorou nossa localização – agora ela não precisará desviar 3 quadras do caminho do trabalho para pegar café.
A manhã foi levemente agitada, mas quem se importa com isso, certo? Foi o que veio depois que fez do nosso dia uma maravilha.
Passara um pouco do meio da tarde quando dois jovens em roupas de ginástica entraram no Café, ela com um coque alto e dezenas de presilhas nos cabelos, ele com sapatilhas penduradas na mochila.
Sentaram ao fundo, na janela, bem perto do caixa.
– Então quando girei vi que ela me observava rindo e só então notei que tinha esquecido totalmente de metade da coreografia, foi ridículo. – ela contou parecendo pouco à vontade enquanto ele ria.
– Ah, Nat, acontece, eu vivo esquecendo e pulando partes. Sempre acho que ela vai me matar, mas ela sempre ri e me manda ter cuidado.
– Acho que precisamos de uma professora mais rígida, ela é muito mole com essas coisas.
– Eu tive uma professora louca, acho que a Carla é ótima.
Existem determinados momentos que fazem parecer que os planetas se alinharam e que o universo inteiro parou para que aqueles poucos minutos possam ser uma pequena porção de eternidade e perfeição.
Ela olhou para a janela, ele olhou para ela, então eu soube, aquele era o olhar, aquele era o momento.
– Então, Nat, eu estive pensando…bom…sabe, a Tatiana vai dar uma festa, nada grande, mas pensei se você gostaria de ir. O que acha?
– Festa? Não sei, Marcos, tem aquela apresentação em duas semanas, eu realmente preciso praticar.
– Uma noite, Nat, uma apenas e eu prometo que ensaio pelas próximas duas semanas contigo.
Então ela olhou para ele e percebeu. Quase pude ouvir os tambores fazendo o suspense aumentar. Ele estava nervoso, ela contente. Ela estendeu a mão e segurou a dele, sorrindo.
– Claro, vamos, mas eu vou arrancar seu coro nos ensaios, ok?
Suponho que os planetas se alinhem para eles outra vez no sábado, vou torcer por isso; não posso evitar, eu torço pelo melhor para os outros.
E foi assim que servi o segundo par de cupcakes. Esqueça a promoção, eu quero guardá-los para momentos como esse.

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