Cicatrizes

Os seus tamanhos não mostram a sucessão de acontecimentos que as geraram, não as tornam mais ou menos dolorosas, algumas nem mesmo são memoráveis.
Corpos marcados com os incidentes da vida. Uma prova de que estamos vivos. Uma prova de que estamos vivendo. Uma prova de que podemos nos recuperar mesmo de lesões graves.
Sua extensão é mais sensível que a pele intacta, como uma lembrança tênue de que nunca nos recuperaremos totalmente.
A dor ainda pode ser lembrada, embora, aos poucos, se perca nas dezenas de batidas de dedinhos nas quinas, nos dedos levemente cortados, nos dias sem dor alguma.
Meu corpo conta uma história, uma que minha mente pode ou não concordar, meu corpo se ergue e tenta se recuperar, mesmo quando eu me rendo às lembranças, talvez dando-lhes mais importância do que realmente tiveram. Como saber o que é real e o que não é?
Mentes cheias de dor, de lembranças, de medos. Cicatrizes que não podem ser atenuadas por pomadas, que ainda espreitarão à noite, saindo dos cantos sombrios em que se escondem e dominando-nos, mostrando tudo o que não poderemos apagar, mesmo que neguemos aos outros, mesmos que esbocemos sorrisos.
Elas estarão ali, mesmo que quase invisíveis, mesmo que mudadas pelo tempo, elas nunca nos deixarão realmente.

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2 thoughts on “Cicatrizes

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