Porto Alegre e uma princesa ao meu lado

Acordei na hora do almoço depois de uma série de sonhos estranhos que incluíam um irmão que morre e uma tentativa de fuga do funeral que acaba comigo perdida em um lugar qualquer (é por coisas assim que isso aqui é uma bagunça).
O shopping fica lotado na hora do almoço, as pessoas correm de um lado para o outro – almoçando, conversando.
Um moço comia com pressa, mexendo no celular, sem nem tirar a sacola da mão, como se fosse fazer ir mais rápido.
Um grupo de homens bem vestidos falando sobre as pessoas sem noção que haviam atendido.
Duas filhas e um pai, logo ao meu lado. Uma lembrança um pouquinho dolorosa de uma avó muito amada que também era servida  e rodeada de filhas que penteavam seus cabelos de neve e cuidavam-lhe com zelo.
Uma mãe trançando o cabelo de um menina de uns 7 anos que contava sobre a festa de aniversário da amiguinha.
Uma senhora recolhendo os pratos, seus cabelos grisalhos bem penteados, um sorriso no rosto.
Vida, por todos os lados.
Tempo – passando rapidamente – mas eternizado em memórias.
Parece meio absurdo que os parques exalem tamanha paz e tranquilidade enquanto as ruas estão lotadas, em um movimento frenético que nunca para completamente, coexistindo lado a lado e em harmonia. Como nós.
Os parques têm aquela folhagem verde viva, a sombra fresca e minha princesa andando ao meu lado.
Conversas gostosas, as pessoas passando, alguém deitado em uma rede. Como não ter pressa é gostoso, assim como estar com quem a gente ama.
Esses são aqueles momentos que ficam na saudade, nos dias sombrios e solitários em que nada adianta, são esses os dias que melhoram tudo, é quem a gente tem ao lado.
Quem melhor que uma irmã que é amiga ou uma amiga que é irmã?
Sempre lembro de como minha mãe fica feliz quando estamos assim – em paz -, eu fico feliz também, mas conter os gênios lá de casa jamais seria uma tarefa fácil. Todos sabemos: somos uma família de cabeças duras. A peleia é certa e não invalida o amor.
Previsões de uma vida de brigas e abraços, eu gosto assim, com emoção – e ela não precisa ser totalmente boa o tempo todo, a graça é a diferença nos momentos. Ninguém quer monotonia ou viver em algum tipo de letargia.

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