19 dias de pôr do sol

Chegar em Porto Alegre é sempre interessante, a cidade me fornece tantas coisas para observar que me são familiarmente em constante mudança. As pessoas nunca são as mesmas e sempre tem um belo pôr do sol (minha parte preferida da cidade), mas por enquanto só tenho o céu noturno sobre mim, aguardo um táxi.
Observo as pessoas irem e virem, sempre correndo, sempre Porto Alegre. Sempre há alguém falando irritado ao telefone, sempre há uma mãe dando instruções a seu filho, sempre há alguém lendo o jornal, sempre tem gente perdida. Fecho os olhos por um instante breve, sentindo a agitação.
Tenho um problema sério com a evolução tecnológica nos táxis daqui, celular/tablet no painel, no celular os aplicativos que apitam sem parar, no tablet, a novela, sinto cheiro de batida de carro e pedir nunca gera o desligamento de nenhum aparelho. Fico irritada – toda vez.
Me pergunto secretamente se com tantas coisas no painel os motoristas conseguem ver a rua. Ele quase atropela uma mulher que atravessava o sinal verde distraidamente. Dois distraídos é sinônimo de acidente, esse foi por pouco.
O porteiro nunca pergunta quem eu sou, apenas subo, acho estranho, mas pode ter certeza que eu não vou reclamar; minha mente cria dezenas de situações onde pessoas erradas podem entrar, sou assim dramática – ou será que não é apenas drama?
Ela abre a porta pra mim e nesse momento eu percebo que senti falta do rosto delicado, do nariz lindinho, das reclamações até, mas logo não vamos nem querer nos olhar, é uma constante do universo.
Celebro o aniversário daquela minha linda que possui um lugar todo especial e exclusivo em meu coração. É bom estar ao seu lado por tantos anos.
Nós começamos uma rotina de ir ao médico, fazer exames, dormir e assistir Friends. Eu gosto assim – bom, não a parte dos médicos, detesto essa parte. Ela reclama, quer conhecer os paraísos escondidos da cidade, eu gosto disso também, mas não gosto do verão e meu ânimo nessa época do ano é sempre mínimo.
Para quebrar a rotina vamos para o Planeta (esperei 10 anos por isso, mas ainda sou uma plasta). Não sei se posso descrever como foi gostoso, mas foi ainda melhor do que eu esperava e – sério – Ivete é uma rainha e me fez cantar e pular como ninguém, Armandinho é de outro mundo e sobre os outros eu falo outra hora.
Assistimos um treino de Roller Derby da minha prima e – se eu morasse ali também iria querer participar.
Quando a pequena consegue me tirar de casa de novo é para ver o Museu da PUC. Ele me enche de saudade do ensino médio, das aulas de física com o maravilhoso Dipp (tenho essa permanente certeza de que nunca aproveitei tudo o que ele poderia ter me ensinado), eu gosto dessas coisas em que posso tocar. Quero mais museus assim.
Começo uma coleção de moedas.
Acordar cedo não é meu maior prazer, mas o desconforto matinal some quando o Barco Cisne Branco se põe a navegar pelo Guaíba. O vento agitando meus cabelos é como uma carícia do mundo e eu quero congelar esse momento. Será que é a caipirinha de abacaxi agindo? Não sei, mas meu humor dá um salto e samba lê lê.
A Casa de Cultura Mário Quintana me traz recordações da sétima série, quando falamos tanto nele que ninguém mais aguentava ouvir seu nome. O lugar me agrada, me faz ter vontade de sentar no chão e escrever uns versos. Eu até queria ter passado uma tarde inteira lá no alto, observando o horizonte e escrevendo uma bobagem qualquer.
Se tem algo sobre Porto Alegre que eu acredito que todos deveriam fazer é o passeio da zona sul. A paisagem é de tirar o fôlego, a guia é divertida (beijo pra Sílvia, que é legal, e pro Renatinho, que dirige bem). Descobri que existe uma versão de Ipanema, sem a possibilidade de mergulhos na água – tristemente – poluída do Guaíba, mas ainda assim bela em suas particularidades. Existe, também, uma zona rural onde se instalaram os imigrantes italianos, é sempre bom passar por esses lugares cheios de histórias.
O final de semana me traz um encontro com a família. Primeiro com a tia do atraso, que deve ser quesito familiar que eu – absolutamente – possuo. Um almoço cheio de sorrisos, um cineminha com o deleite de The Theory of Everything e um passeio de ida e volta a Guaíba.
Não sei como as coisas são por aí, mas por aqui, mesmo com todas as diferenças pessoais, tem todo esse amor que as prolongadas ausências não alteram. As tias sempre sorridentes discutindo pra lavar a louça, os primos que sempre me causam uma onda de carinho que não sei explicar. O churrasco impecável de domingo e uns sorrisos para me fazer sentir saudade.
Um último exame e então eu corro para os braços da mamãe de novo, não sem antes ver um último pôr do sol em Porto Alegre refletindo nos prédios espelhados.
Até logo, cidade do sol poente, eu não vou demorar a voltar dessa vez.

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