Aborto

Antes de iniciar quero deixar claro que a opinião aqui exposta não foi formada levianamente, não é baseada em faria/não faria, é resultado de respeito, pesquisa em livros e sites, pesquisa de opinião, intensa reflexão.

Mais de 850 milhões de mulheres abortam todos os anos (segundo a OMS o número pode ser muito mais alto, mas não é possível ter certeza pelo caráter de ilegalidade), o aborto é o quinto maior causador de mortes no Brasil. Sabe o que isso significa? Mulheres estão morrendo porque não querem/não podem ser mães.

Em minhas pesquisas pelos fórums direcionados ao assunto encontrei muitas pessoas contra a descriminalização do aborto. O meu problema com isso são os argumentos; entre os principais se encontram determinar o aborto como assassinato, dizer que Deus não aprova, que existem métodos contraceptivos e uma série de absurdos.
Nenhum método contraceptivo dá 100% de certeza de que não haverá gravidez, o aborto não pode ser um assassinato se o feto não tiver se formado completamente e eu não sei se um dia serei capaz de compreender por quê algumas pessoas insistem em colocar sua religião no útero das outras.

Para esse assunto sumonarei aquele eterno princípio que meus pais me ensinaram: o respeito ao outro.

Em respeito às mulheres que não se sentem prontas para a maternidade, as que não têm condições de criar um filho, as que simplesmente não desejam, defenderei a descriminalização do aborto. Forçar uma mulher a uma gestação é interferir em seu direito a seu próprio corpo.

Inúmeras são as histórias de meninas/mulheres cujos parceiros as obrigaram a manter a gestação e depois as abandoram. Um conceito interessante me foi exposto sobre isso, o de que o abandono é uma forma de aborto. O abandono é cruel.
Que mãe gostaria de ver uma criança em um orfanato sem carinho, sem amor, sem educação, sem cuidado? Nenhuma mulher sente prazer em abortar. Este é um processo intensamente traumático, invasivo, perigoso, mas, ainda assim, o direito de escolher é uma necessidade.

Jovens têm sua infância e adolescência destruídas por falta de preparo, por falta de consciência de suas famílias, são obrigadas a manter a gravidez como forma de punição. Punição por pais que não conversam com elas, que não as preparam para vida, que não sanam suas curiosidades e deixam que elas façam o que quiserem, só se preocupando com o castigo, jamais com a educação.

As mulheres não vão parar de abortar porque alguém invocou alguma religião, porque alguém acha que é assassinato, porque alguém acha que ela tem que arcar com as consequências de seus atos, inclusive, elas arcam, elas arcam com os efeitos da interrupção da gravidez, com o julgamento descabido e desmedido da sociedade, com a marginalização, com os traumas, com as dores. O que elas precisam então? Serem tratadas como criminosas? Serem obrigadas a parir uma criança que não desejam? Que não possuem condições de criar? Que é fruto de um abuso?

O que as mulheres precisam é que os hospitais estejam equipados para ajudá-las nesse momento delicado, de apoio, de compreenção, para que suas vidas não acabem, para que outras crianças não sejam abandonadas, porque o aborto é uma questão de saúde, de consideração e respeito, mas não um crime, não uma questão religiosa, jamais uma forma de punição. O pai deve ter responsabilidade também, tanto quanto a mãe.

Quero agradecer a todos que me ajudaram, me dando suas opiniões, sempre com educação e bom senso. Suas opiniões foram importantes para me fazer refletir com clareza.

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One thought on “Aborto

  1. Concordo com tudo o que disseste. Cá, felizmente, já é legal. E o número de pessoas a fazerem abortos – segundo os dados que se conseguiram apurar – não mudou grande coisa. A questão é a pessoa se quiser vai abortar, mas se isso for legal a pessoa irá abortar com cuidados médicos, com acompanhamento. Na minha cabeça não é crime nenhum, crime é maltratar uma criança, deixá-la morrer à fome, abandoná-la em contentores do lixo ou metê-la pela sanita a baixo – que são histórias que infelizmente acontecem.
    E acho que a religião não deveria definir assim tanto o nosso sentido de moralidade, porque a moralidade, se formos a ver, é uma questão de bom senso e de analisar os factos.
    Beijocas*

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