Os perigos de se apaixonar por uma lista

Nós adoramos listas! Elas nos dizem o quê, quando, onde precisamos estar, fazer. Elas nos lembram todas as coisas que não podemos esquecer. Elas regulam os nossos dias para que não percamos tempo.
Graças a tudo isso (especialmente ao aproveitamento de tempo) nós nos enchemos de todos os tipos de listas: a do mercado, a de afazeres, a de trabalhos, a dos textos que precisamos escrever, a dos que precisamos revisar, os jogos que devemos jogar, os filmes que devemos assistir. O perfeito mundo das listas!!!
Mas e se essas listas estiverem nos cegando?

Explico: Organização é uma coisa maravilhosa, ela nos faz ter tudo exatamente onde deve estar, MAS elas nos fazem esquecer a espontaneidade.
Em um momento não aproveitamos estar sentados no sofá (mesmo que por cinco minutos), em outro nos vemos completamente cercados de uma natureza maravilhosa – onde o ar é ‘puro’, as borboletas nos circulam, as aves piam docemente – e somos incapazes de aproveitar isso (aproveitar não está na lista).
Algumas pessoas vão mais longe: elas fazem listas sobre o quê encontrar em um amigo, um namorado, etc.

A minha pergunta é: O que há de errado com vocês?
Desculpa, mas eu simplesmente não consigo ver sentido em certas coisas. Eu, obviamente, apoio a imaginação, os sonhos, traçar metas, mas eu apoio, também, que as pessoas se deem ao direito de experimentar a espontaneidade, a liberdade, que consigam se deixar viver, aproveitar os momentos (e, sim, isso inclui não se apaixonar por uma série de qualidades em uma lista), errar um pouco – ou muito – . Isso faz parte da vida, isso faz parte de adquirir experiência, de crescer, de encontrar quem queremos ser.

Acredito que o medo exacerbado faça com que nos escondamos onde nos acharmos mais seguros (nesse caso onde nos limitamos a buscar pessoas que se encaixem em um determinado acúmulo de qualidades que – supostamente – reduzirão as chances de que essas pessoas nos machuquem de alguma forma).
É muito difícil superar um medo, mas é necessário. O mundo não é feito de escolhas fáceis, na verdade, na maior parte do tempo, ele é dividido entre o que é fácil, o que parece ser certo e podem ainda haver outras opções. O único jeito de saber por onde ir é escolhendo um caminho.

Não olhar para trás é um desses conselhos de dois gumes. Às vezes é necessário olhar para as estradas por onde você passou e refletir se aquela foi mesmo a decisão correta. Às vezes olhar para trás vai trazer muita dor. Evite dor, mas lembre que a dor também pode ser inevitável para que você seja quem realmente deve ser.
Em um mundo onde as pessoas vivem de aparências, ser o seu verdadeiro eu é a maior das aventuras.

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