Nuances de amor

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“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.” (Antoine de Saint-Exupéry)

O Pequeno Príncipe é uma história muito bonita, mas há algum tempo essa coisa de ser responsável pelos sentimentos dos outros me incomoda. Profundamente.
Veja bem, as pessoas leem isso, reproduzem isso, acreditam nisso, distorcem amplamente isso. Mas isso não é verdade.

Primeiro porque ninguém – possui – outra pessoa. É doentio tentar possuir, cercar, garantir que tu seja a única pessoa na vida daquela. Ter ciúmes das pessoas que vieram antes, dos amigos atuais, de qualquer pessoa com quem seu super amor converse ou conviva.
“Ah, mas eu só tenho um pouquinho de ciumes, nada demais.” E depois disso faz três horas de escândalo porque a Luana curtiu a foto dele no Facebook.
Amar alguém NÃO PODE ser tua primeira necessidade na vida. A não ser que tu mesma seja essa pessoa que merece a primazia de amor e cuidado. Sim, o velho cliché do ama a ti mesmo. Porque um amor é um complemento de felicidade e não a causa de tu acordar e dormir e respirar e…
Não! Pode ir parando por aí! Tua vida não é poesia e a poesia é apenas um amontoado de figura de linguagem. Se não sabe interpretá-la não a leia.
Angélica não é anjo nome e diaba na cara, ela apenas é uma mulher bonita que inspirou Gregório de Matos (e só pelo autor eu já leio essa poesia pensando que ela é irônica), uma mulher que tinha a beleza inocente e as atitudes atrevidas. Uma mulher que se vestia como uma freira, mas era prostituta. Escolha a melhor opção.
Desculpe destruir tuas ilusões, mas literatura é uma coisa, realidade é outra e obsessão é doença.
Amar alguém, cuidar de alguém é uma coisa. É bom, é bonito, faz bem. Mas ama com cuidado, amor nenhum é eterno como juram os poetas, pode ser intenso e bonito e várias coisas; lembra que quem promete coisas demais tende a ferir-te mais, porque quanto mais promessas forem feitas, mais promessas poderão ser quebradas.
Ama sim, ama muito, mas aprende a não te doar inteiro. Não porque o outro pode não valorizar teu carinho, mas porque se fores inteiro de outro o que sobrará a ti mesmo?
Não ame exageradamente, como Cazuza, ame moderadamente, não se jogue aos pés de ninguém, mas, sim, adore um amor inventado.

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