Por quê cavalheirismo é machismo?

Eu me sinto profundamente incomodada quando um homem abre a porta pra mim.
Ou me deixa passar primeiro.
Quando ele pega as sacolas da minha mão sem perguntar se eu quero que ele as leve para mim.
Quando ele insiste demais pra carregar minhas sacolas/mochila.
(E, acreditem, isso não é um sentimento exclusivamente meu – como comprovam alguns fóruns pelos quais eu andei.)

MAS POR QUÊ?

Vamos explicar do jeito que eu gosto: CHAMA O DICIONÁRIO!!!!

Significado de Cavalheirismo
s.m. Ação, característica, atributo ou comportamento de cavalheiro; qualidade de quem demonstra gentileza, cortesia, civilidade.

Ai, Simone, que lindo!
É, né? Mas sabe o quê o dicionário não diz, aquele ponto em que ele nos falha? O dicionário não diz que essa “gentileza, cortesia, civilidade” é direcionada exclusivamente às mulheres.
Você já viu um homem ajudar outro e alguém dizer “nossa, como ele é cavalheiro, né?!”. Eu nunca vi. Aliás eu raramente vi homens apresentarem esse tipo de gentileza uns com os outros.

É muito irritante um homem que age como se uma mulher fosse incapaz de cuidar de si mesma, de abrir a porta, de subir e descer escadas, de sentar, etc.
Se você não abre a porta para homens, não puxa a cadeira para homens então POR QUÊ fazer isso pra uma mulher?
“Ah, mas elas gostam.” Realmente! Algumas mulheres gostam dessas GENTILEZAS.
Vez ou outra até mesmo eu gosto dessas G E N T I L E Z A S, mas apenas quando elas vêm de alguém que não é gentil comigo porque eu sou mulher, porque acha que – de alguma forma – eu sou incapaz de dar dois passos sem precisar um macho cuidando de mim.
Quando um homem tem por costume deixar outras pessoas passarem em sua frente, é uma coisa legal; quando ele se importa com as outras pessoas porque ele é cuidadoso, cortês, bem educado é muito legal.

Pra ilustrar como funciona o jeito certo de ser gentil eu vou contar sobre meu amigo MARAVILHOSO (beijo Gui):
Quando eu e Guilherme nos tornamos amigos (ou nos descobrimos amigos) ele – sempre – fazia questão de me dar passagem nos corredores, se adiantava para abrir a porta quando via que ela estava fechada.
Isso me dava arrepios de desgosto (como aqueles de quando a colher raspa no fundo da panela). Comuniquei a ele que aquilo não me agradava e ele gentilmente respondeu “ok”.
A partir daquele dia ele cuidou para não fazer isso sempre, vez ou outra ele esqueci e parava para que eu passasse, mas ainda assim ele se tornou cuidadoso para não me deixar incomodada.
Acontece que eu percebi – depois de um tempo – que esse menino – lindíssimo e incrível – faz isso com todas as pessoas.
Hoje, quando Gui me dá passagem, não estranho, não me sinto desconfortável, mas eu só consigo ser ok com isso porque eu sei que ele faz isso por gentileza e não cavalheirismo e, de vez em quando, ele ainda passa na minha frente exatamente por saber que não me agrada totalmente ser tratada com esse excesso de cuidado.

APRENDAM COM O GUILHERME. Aprendam a ser gentis com todas as pessoas. O mundo precisa de gentileza. Mas nós realmente não precisamos de mais machistas disfarçados.

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