Dia medíocre

gatinho-deitado2

Mesmo se eu vivesse uma centena de vidas ainda iria querer voltar para aquele momento em que seu olhar encontrou o meu pela primeira vez e, sem palavra alguma, lemos uma à outra, desvendando todos os mistérios escondidos e, embora as informações daquele primeiro momento só fossem fazer sentido bem mais tarde, eu soube ali que tu serias o meu zênite e o meu nadir.
Desde aquele primeiro momento o meu corpo tremeu e a minha mente se fez clara, de repente o mundo era real e não era horrível. Eu quis cada segundo da tortura que viria, das horas de reflexão, dos meses de frustração, eu queria qualquer chance que pudesse ter – mesmo sabendo que alguém tão incrível quanto a dona de tão belos olhos jamais poderia amar-me, assim como nunca pensei que um dia eu amaria.
Em um futuro – talvez distante, talvez não – eu posso vir a olhar para trás e ver-te diferentemente, concluir que meus esforços nada foram, perceber tudo o que agora se passa como neblina; mas neste instante eu só consigo olhar-te e pensar que nenhuma outra criatura é tão linda e que eu jamais poderia amar outro alguém dessa forma.
Eu tenho esse quê de tudo ou nada, é verdade, uma ‘leve’ tendência ao exagero e à literaturalização de mim mesma, mas juro que não é por mal, minha querida, é apenas um reflexo de quem passa muito tempo navegando entre as palavras, remando num sem fim de códigos – e ainda assim os teus me confundem.
Se eres apenas um capítulo em minha história eu não sei, mas eu queria que fosses todo um livro e eu te leria tantas vezes que saberia alguns de teus trechos de cor. Como eu disse, tenho tendência ao exagero. Cazuza me entenderia bem.
Eu me convenci tantas vezes de que esse tchau é, na verdade, um adeus, mas eu me traí repetidamente e voltei para ti como uma mariposa atraída para a luz. Somos ambas bem estúpidas, a mariposa e eu, pois nos aproximamos demais daquilo que sabemos que vai nos machucar e o fazemos sorrindo, mas, assim como a luz, tu só está ali e pode nem perceber o que está acontecendo.
Mais de uma vez vi-te dizer que se fosse fácil não teria graça, mas isso não é um jogo, coração, pela primeira vez eu não estou jogando e, se estivesse, eu estaria perdendo deploravelmente. Declaro-te, então, vencedora de jogo nenhum, pois já há algum tempo me perdi em um caminho não mapeado e estou em campo aberto sem saber para onde correr.
Desculpe a literaturalidade, amor, eu só queria dizer que hoje não é um bom dia e que eu gostaria de um café quente e do teu abraço.

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