Patronum

Jamais poderia ser real frente a um coração ímpio.
S. Black

 

Andava lentamente pela rua principal da Universidade, ouvia lá no fundo a festa, mas não era este o meu rumo.
Faziam quase zero graus e meus dois blusões era insuficientes. Tremia. Parei sobre a ponte. Era mui bela a vista daquele ponto – especialmente a vista do sol nascente ou poente -, mas no breu da meia noite pouco se via dali de cima. Na ausência da lua, as estrelas dançavam majestosamente.
Ouvi passos nos gramados abaixo, rápidos, como que nervosos, porém nada vi.
Passou, então, um carro, desses cheios de moleques bêbados e imbecis que não podem por os olhos numa mulher. Estacionaram. Pus-me a andar, concentrada em ignorar suas palavras rudes.
Desci para esconder-me sob a ponte. Já não ouvia os passos no gramado, apenas a algazarra dos três ou quatro moleques que me seguiam.
Chegando ao pé da ponto ouvi-os começando a acelerar o passo; virei-me. O tremor agora era outro. Meu coração parou. Minha mente só conseguia pensar ‘droga’.
Entre um ‘onde vai lindinha’ e um ‘não vamos te machucar doçura’ senti uma mão tocar meu ombro. Eu congelei. Eles pararam.
Sem nem uma palavra viraram-se e correram morro acima. Girei em meus calcanhares – meio agradecida, meio amedrontada – para ver quem os tinha assustado daquela forma; meu protetor desvanecia perante meus olhos com a nitidez de um sonho que opaca-se ao abrir dos olhos.

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