Concha, mar e eu

No meu jardim há muitas conchas. Casas vazias. 

Há dias em que elas são lindas, divertidas, enfeites.

Há dias em que elas são assombro, a lembrança de que também eu estou vazia.

Algumas vezes olhá-las faz com que eu sorria.

Outras nem possa olhá-las pois dói meu peito e preciso fugir até mesmo de mim.

Seus contornos e graciosas ondulações refletem o mar, sempre irregular.

Acabo pensando que eu também sou mar, dias de calmaria, dias de tempestade.

Ondulo para frente e para trás. 

Nado em minhas correntes e espalho partes de mim pelo mundo.

Sempre deixo algo de mim.

Sempre levo algo novo.

Confesso que tenho medo de mim, pois também tenho profundesas desconhecidas.

Lá onde a luz do sol não toca eu sou selvagem e sou coisas que eu nem sei nomear.

Durante o dia eu sou refresco.

Durante a noite, abraço morno.

Sou intensa e sei que isso assusta, também eu tenho medo da força das águas. 

Ao entrar em mim ande somente por onde dá pé ou tenha um barco resistente.

Não é que eu queira, mas você pode vir a se afogar em mim, eu também me afogo.

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