A Crise Noturna dos 23 Anos

Essa é a época do ano em que eu começo a pensar e planejar o próximo semestre. Confesso, agora que tudo está entrando no rumo, que eu fiz uma bagunça com as matérias que fui cursando – o que está tudo bem, eu fiz no meu ritmo, errei em algumas escolhas, acertei em outras -, mas qual não foi a minha surpresa ao perceber que – finalmente – elas estão ficando organizadas?! Organizadas de tal forma que, agora, eu posso saber quando vou me formar! (alô 2019!)
Nada menos que um choque! De repente é real, estamos entrando na fase final, cada passo mais perto das loucuras do TFG (TCC), de finalizar a faculdade e começar uma nova etapa. As palavras desemprego, tentativas de mestrado que podem fracassar, entre outras coisas vêm à mente.
O que eu mais queria nesse momento era ligar pra minha mãe, assim, aos prantos, pedir colo, pedir cafuné, pedir socorro! Supostamente eu já não tenho mais idade para isso, aos 23 anos (e 26 quando eu me formar – SOCORRO MÃE! -), eu sou uma adulta, uma mulher forte e independente, mas quando foi que eu passei dos 18? Ainda ontem eu tinha 13 anos e escrevia fanfics com minha melhor amiga, desenhava nos meus tênis e lia durante todas as aulas.Onde foram parar as minhas tardes livres? Na verdade a lista só piora: Eduarda acabou de se dar conta de que nos conhecemos por metade de nossas vidas – e nem nos conhecemos tão cedo assim. Claro que essa é a única parte boa, conhecer e ter alguém que eu amo e que me ama por tanto tempo dando apoio, carinho e amizade, mas não deixa de ser assustador.
Ainda lembro de quando o tempo passava lentamente, mas esse salto… será que alguém usou algum tipo de vira tempo?
E o que falar sobre quem eu conheço há 16 anos?
Em 2020 eu terei me formado do colégio há uma década. Eu já tenho mais de duas décadas.
Sei que muito aqui está repetitivo, mas, como disse lá em cima, estou em choque.
Eu fiz tantos planos na minha sonhadora adolescência! Alguns desses planos foram há muito deixados de lado (como a graduação em Jornalismo que eu troquei pelas Letras), outros seguem em rodeados por pontos de interrogação (como um mochilão que eu adoraria, mas morro de medo de me perder pelo mundo tentando fazê-lo), há ainda outros que seguem firmes e fortes (ser uma escritora).
Ser uma escritora é o sonho que, cada vez mais, se torna real. Na verdade é o único que se tornou real. Especialmente porque eu descobri que a escrita é um estado de ser e não de estar, eu não me tornei escritora, de alguma forma, eu sempre fui.
É difícil escrever assim quando se está em um misto de choque, lágrimas e ideias que começam e não terminam ou que se repetem duas ou três vezes, como que para assegurar que sejam notadas.
(Gostaria de nomear essa a Primeira Crise Existencial em Dupla).
Ainda na outra semana errei minha idade, falei que tinha 24! Só depois me conta dos números que não batiam, mas que assustam mesmo assim. A crise não deveria vir aos 30? Se bem que estamos quase ali (ah, mas ainda faltam 7 anos/ faltam SÓ 7 anos).
Aos 20 e poucos eu já deveria ter muitas tatuagens, ser legal, descolada, experiente, ter viajado muito, estar financeiramente segura com um emprego bom e ser confiante, mas aqui estou eu, surtando com a minha melhor amiga (que, sim, veio para o lado da crise chorar junto comigo).
Quando assisti aos episódios finais de Gilmore Girls achei engraçado que Rory estivesse tão preocupada com emprego, afinal, ela, aos 32/33 anos, é tão jovem! Pois veja só quem mais não está exatamente onde achou que estaria, aliás, só posso descrever o momento atual como estar em um reino tão tão tão tão tão distante.
Minha criança interior começa a se comportar como o Burro (de Shrek), perguntando a cada 5 minutos: “Já chegamos?”.
Meu eu adulto grita em resposta, em parte irritado, em parte apavorado: “Ainda não! Cala a boca, Burro”.

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