Projeto 1 Ano 12 Cores – Prata

To atrasada? Tô! Não fiz vários dos posts anteriores? Pois é, mas tamo aqui de novo. Tá faltando foto? É que a foto que eu tirei pra isso tem absolutamente NADA a ver com esse texto.
Prata é uma cor que me remete a momentos preciosos guardados na minha mente, é uma cor que me faz pensar em carinho e em pessoas que eu amei, traz consigo algumas mágoas e valiosas reflexões. Hoje, especialmente, prata me fez lembrar de quando eu aprendi a falar para as pessoas como eu me sinto em relação a elas.
Esse post acontece ao som de Crying Lightning (CLIQUE AQUI).

Não vou mentir, não é sempre que penso em você, felizmente eu raramente lembro daqueles dias, preciosos, mas que ainda me trazem um pouco de dor.
Observo a fumaça do teu cigarro subindo em espirais, são sete da manhã, seus lábios já estão pintados de vermelho sangue e eu não consigo desviar meus olhos. Eu sempre trago o jornal de casa para possamos fazer as cruzadinhas, você pinta as tiras e eu corrijo os erros que o editor deixou passar. Pequenos momentos que me trazem saudade.

Sempre tem alguém nos observando, todas as malditas manhãs, mas hoje, por algum milagre de alguma divindade qualquer, estamos completamente sozinhas. Os dias estão ficando frios e você nunca coloca casacos suficientes; aos poucos eu aprendi a controlar meu corpo para não sentir tanto frio e tento sorrir enquanto você sorri envolta em meu casaco e fala de como gosta que eu não use perfume algum. Ao fim do mês esse casaco vai estar cheirando a você e eu vou detestar isso, mas por enquanto eu ainda gosto de ler à noite envolta no cheiro que você deixa nas minhas roupas.

Você me beija lentamente e meu gosto de café se mistura ao seu gosto de cigarro (ah, as pequenas ironias!), eu te abraço e nós conversamos até perdermos noção do tempo. A única rotina que eu gostava.
Nossos bons momentos duram cada vez menos. Há sempre algo que desencadeia séries de discussões. Eu ainda estou lambendo as feridas da decepção passada, você mergulha de cabeça em tudo o que faz, eu não piso onde não consigo ver o chão.
Você pede coisas que eu não posso cumprir, promessas, grandes demonstrações e nunca escuta quando digo que eu não sei lidar com romances. Noto sua crescente irritação, mas eu não posso prometer coisas que eu sei que não posso manter. Há tanto de mim que você não entende. Então você diz que eu sou fria, que não me importo com absolutamente nada e que não te amo.
Eu eternizei tua presença em poemas, mas não é o suficiente. Eu não tenho paciência pra tantas coisas, mas eu seguro meu gênio ao máximo. Te vejo falar sobre como queria que eu fosse e isso me irrita. Até eu tenho limites. Mesmo naquele momento eu já sabia, felizmente, que eu não deveria me moldar e sim ser molde.
As conversas sussurradas se tornam mais altas, mas o barulho da chuva nos mantém protegidas de possíveis curiosos. Eu odeio discutir assim, porque eu não tenho tempo pra respirar fundo e pensar de verdade no que você diz e no que eu quero dizer.
Eu te digo que eu não posso mentir ou falar de coisas que eu não sinto, que gostar é diferente de amar e que eu não me jogo em poços sem saber se há água lá embaixo. Você não entende que eu já me machuquei antes e tenho medo – talvez porque eu ainda não soubesse dizer que era medo.
Você olha em meus olhos e diz que me ama. Me sinto como um navio esburacado em um mar tempestuoso. O azul dos teus olhos me afoga. Veja bem, eu nunca soube lidar com surpresas.
Eu te beijo quando as palavras me faltam, mas nada te distrai, você quer palavras e promessas que eu não posso dar, ainda não. Você, então, se recusa a esperar e eu nunca fui de obrigar ninguém a nada.
Se ali houvesse uma estação de trem, tenho certeza de que você iria pra lá na espera de que eu te parasse. Nós nunca fomos um filme, eu nunca te amei como você queria, mas era mais do que eu estava pronta pra admitir ou me permitir sentir.
Anos mais tarde, com cervejas na mãos, sentamos na beira da calçada, numa noite quente que nada lembra dos dias frios que abrigaram nossos beijos e memórias doces e amargas. Lembro da sua cara de choque ao descobrir que eu voltei lá toda manhã e esperei por você por quase um mês. Uma parte de mim fica satisfeita ao saber que eu tinha razão em uma parte, assim como sei que você também se sentiu assim ao saber que me ensinou algumas coisas sobre mim.
Amar alguém é um sentimento tão bom que, ao perdê-lo, leva algumas pessoas ao desespero de tentar recuperar algo profundo com várias conexões rasas e que leva pessoas como eu ao silêncio, ao afastamento, motiva reflexões e cuidados e medo, muito medo, de que nunca nada seja como aquele amor foi. Nunca é.
Algumas lições são mais difíceis do que outras, mas respirar fundo sempre ajuda a enxergar as coisas com mais clareza (ou limpar os óculos).
 

 

Para mais conteúdo do Projeto acesse:
Ondas Douradas
Nega Vaidosa
Blog Coisa e Tal
Eu Crio Moda
Ela Pensa Também
Lareando

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